O *SINTERP – Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão* manifesta seu mais absoluto e veemente repúdio à forma como o programa *Alô Juca*, apresentado pelo jornalista Marcelo Castro, na TV Aratu/SBT, conduziu a cobertura de uma ocorrência policial ao expor o cinegrafista Gessé a uma situação de risco extremo.
O episódio ultrapassa qualquer limite aceitável da prática jornalística responsável. É inadmissível que um trabalhador da comunicação seja colocado, direta ou indiretamente, em uma posição que possa comprometer sua segurança durante uma negociação envolvendo um suspeito armado e reféns. O papel do profissional de imprensa é informar a sociedade, jamais servir como instrumento em uma operação policial.
A busca por audiência jamais pode se sobrepor ao direito fundamental à vida e à integridade física dos trabalhadores. Nenhum ponto no IBOPE, nenhuma repercussão nas redes sociais e nenhum resultado comercial justificam a exposição de um radialista a uma situação que coloque sua vida em perigo.
O SINTERP alerta, ainda, para a crescente banalização dos riscos enfrentados por equipes de reportagem em coberturas policiais. Em diversas ocasiões, profissionais têm sido expostos a cenários de alto risco sem que protocolos rigorosos de segurança sejam observados. Essa prática é inaceitável e precisa ser enfrentada com responsabilidade por empresas de comunicação, gestores e autoridades públicas.
Os profissionais da comunicação não são escudos humanos, negociadores, mediadores de conflitos ou participantes de operações policiais. São trabalhadores que exercem uma atividade essencial para a democracia e têm o direito de retornar em segurança para suas famílias ao final de cada jornada.
Diante da gravidade dos fatos, o SINTERP exige que a direção da emissora esclareça as circunstâncias do ocorrido, reveja seus protocolos internos de cobertura e adote medidas efetivas para impedir que situações semelhantes voltem a acontecer.
Da mesma forma, o Sindicato cobra da Secretaria da Segurança Pública um posicionamento oficial sobre os procedimentos adotados na ocorrência e sobre as medidas que serão implementadas para garantir que operações policiais preservem a atuação da imprensa sem colocar em risco a vida de seus profissionais.
O SINTERP continuará vigilante na defesa intransigente dos direitos, da dignidade e da segurança dos trabalhadores da radiodifusão.
‘Não aceitaremos que a vida de um radialista seja colocada em risco em nome da audiência. Não esperaremos que uma tragédia aconteça para exigir aquilo que já deveria ser princípio básico: respeito à vida, ao trabalho e à dignidade humana.’
- A vida do trabalhador vale mais do que qualquer índice de audiência.
- SINTERP – Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão

