O jornalismo policial é uma pauta constante tanto nas redações de televisão quanto nas discussões de dirigentes sindicais, que têm, por natureza de sua atuação, a defesa dos direitos dos trabalhadores. Enquanto as TVs comerciais tratam questões de segurança pública como espetáculo para ganhar audiência, equipes de reportagem são submetidas a riscos que não condizem com seus escopos de trabalho. Existe uma diferença entre a cobertura de acontecimentos e a imposição, por parte das emissoras, de que repórteres, repórteres cinematográficos, cinegrafistas e assistentes estejam lado a lado com equipes policiais em operações de alta complexidade e confronto armado. Nenhuma imagem exclusiva, nenhum furo jornalístico justifica a exposição deliberada de profissionais a situações de vulnerabilidade.

Em nosso estado, infelizmente, essa prática tem sido observada em emissoras como TV Aratu, TV Bahia, TV Band Bahia e TV Record Bahia, cada uma com seu perfil editorial, colocando trabalhadores na chamada “linha de tiro” em nome da disputa por audiência. Nenhum trabalhador deve ser induzido a acreditar que acompanhar a polícia em áreas de confronto, ainda que usando colete balístico, seja prova de competência ou de compromisso com a notícia. Os sindicatos das categorias de radialistas e de jornalistas, SINTERPBA e SINJORBA, reafirmam que coragem e profissionalismo não são medidos pela disposição de colocar vidas em risco.

Essa reflexão está alinhada ao que podemos encontrar na obra “A construção da violência na televisão da Bahia: um estudo dos programas Se Liga Bocão e Na Mira”, publicada pela EDUFBA em 2011. Nessa produção acadêmica, encontramos reflexões sobre os efeitos do “espetáculo da violência”. O estudo foi desenvolvido por Giovandro Marcus Ferreira, Adriano de Oliveira Sampaio, Daniella Rocha Magalhães e Pedro Andrade Caribé, autores da obra. Nele, vemos uma análise de como o sofrimento humano e a insegurança pública se transformam em produto televisivo, ao mesmo tempo em que evidencia como o papel do comunicador foi atravessado por posições que não condizem com o campo laboral, já que nenhum profissional da radiodifusão exerce função social de juiz ou de policial.

“O jornalismo que trabalha com editorial de segurança pública não torna os empregados de rádio e televisão imunes a ataques ou projéteis, por isso, nossos acompanhamentos para salvaguardar os profissionais em atuação, independentemente de uma unilateral vontade de um comunicador ou veículo que  execute  coberturas nessa linha”, diz o coordenador-geral do SINTERPBA, Everaldo Monteiro. Diante da responsabilidade que temos na proteção ao trabalhador, especialmente, neste debate, aos profissionais que atuam na comunicação de massa, registramos que defender condições dignas de trabalho também é defender a qualidade do trato com a informação.