Patrões da comunicação dificultam fazer uma negociação justa com os trabalhadores. As negociações com as empresas começaram em abril, mas chegamos à terceira rodada nessa quarta-feira, 3 de junho, ainda sem acordo. Os patrões insistem em valores injustos que sequer alcançam as correções sofridas ao longo do ano.
A situação piora quando comparamos com o salário mínimo que, em janeiro, teve reajuste de 6,79%, defasando completamente o índice oferecido pelas empresas, que é de 3,77%. Mesmo enquanto os patrões lucram em cima da qualidade profissional e da força dos trabalhadores, ainda continuam demitindo, não contratando novos profissionais e multiplicando responsabilidades, apesar de pagarem somente um salário.
Pelo interior do estado, a realidade é vergonhosa e ainda pior, porque a maioria das emissoras de rádio ou produtoras tem diminuído expressivamente o número de trabalhadores contratados com carteira assinada, ainda que continuem negociando espaços comerciais de veiculação para sobreviverem.
Os veículos de comunicação alegam falta de investimentos e de pagamento das cotas publicitárias por parte dos governos, o que geraria aos negócios “falta de dinheiro”, mas o período agora, por exemplo, é superfavorável para o mercado publicitário, por conta do entretenimento com os festejos juninos e do movimento pela Copa do Mundo da FIFA, quando as empresas recebem grandes investimentos para divulgação de shows, festas, shoppings e bares. Além de tudo, estamos em ano eleitoral, o que movimenta ainda mais o mercado da comunicação.
Afora tudo o que já trouxemos, nunca é pouco lembrar dos mecanismos possíveis para explorar a mão de obra do trabalhador a custos baixíssimos sem comprometer os cofres das empresas, sempre utilizando brechas para sugar ao máximo a inteligência e a força de trabalho do profissional, sem qualquer garantia de contrato em carteira para o trabalhador, com os tributos das empresas assegurados. Hoje, é comum encontrarmos a prática do modelo de contratos através de CNPJ como microempreendedor individual, mais conhecido como “pejotização”, além das terceirizações, em que outras empresas funcionam como produtoras operacionais, pulverizando o trabalho. Afinal, qual é o verdadeiro número de trabalhadores que essas empresas se comprometem a pagar em suas folhas? É perceptível a existência de abusos na “multiexploração”, em que um trabalhador acumula diversas funções sem receber um centavo a mais. Além disso, horas extras não previstas contratualmente, que poderiam ser pagas em dinheiro, viram valores transformados em banco de horas para folgas futuras.
A proposta de reajuste salarial apresentada pelas empresas, neste ano, foge completamente da realidade para um possível acordo. É preciso deixar claro que quem representa os trabalhadores é o sindicato dos trabalhadores, não é o sindicato das empresas, que quer determinar limites daqueles trabalhadores que devem ou não receber correções salariais.
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Rádio, TV e Publicidade do Estado da Bahia (SINTERPBA), consciente de que as propostas das empresas não atendem às necessidades dos trabalhadores, propõe reajuste salarial para R$ 2.496,00 na capital e R$ 1.767,00 no interior, além de 7% em todas as cláusulas econômicas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). A próxima reunião de negociação ocorrerá no dia 11 de junho de 2026.