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SINTERP: nascido nos anos 50 e cada vez mais forte

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e de Publicidade no Estado da Bahia (SINTERP) nasceu de uma associação criada por valorosos radialistas nos anos 50. Em 12 de novembro de 1957, surgia o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Radiodifusão do Município de Salvador, cujo primeiro presidente foi o locutor esportivo Genésio Ramos. O sindicato era aberto a todos os trabalhadores das rádios, não só aos radialistas. Englobava o pessoal que trabalhava na portaria, na faxina, no cafezinho, no telefone. Hoje, qualquer pessoa que trabalhar numa emissora de rádio e TV pode se associar ao SINTERP.

A associação que foi o embrião do sindicato tinha como diretora geral Graça Moreno, radialista do rádio teatro da Rádio Sociedade. A meta era fundar um sindicato, o que só foi conseguido alguns anos depois. Os radialistas precisavam de uma entidade que os apoiasse e lutaram muito para estruturá-la. Era meados dos anos 50 e só existiam três emissoras: a Rádio Sociedade, a Rádio Excelsior e a Rádio Cultura. Nesta última trabalhava Milton Santarem, que ainda não tinha vinte anos e era, naquela época, assistente de operador. Ele colaborou na fundação da associação e posteriormente na construção do sindicato, fazendo parte de sua diretoria em duas gestões.

“Fazíamos reuniões na Mouraria. Como a casa era pequena, ficávamos embaixo, na rua, enquanto o pessoal falava do andar de cima. Discorriam sobre as idéias da associação, para que servia, coisas desse tipo. Quando chovia, corríamos para debaixo da marquise. Com essa aproximação fomos nos juntando, nos conhecendo melhor, até que atingimos nosso objetivo”, relembra.

De acordo com Milton Santarem, naquela época ninguém sabia o que era sindicato. A idéia da associação foi de uma mulher (Graça Moreno) que lutou muito por seus ideais. A primeira sede foi conseguida a duras penas. A primeira fábrica de televisões da Bahia, que se chamava Telematic, alugou uma sala para eles por um preço acessível. Segundo Milton Santarem, “o elevador era uma carroça. Era melhor subir pela escada”. Ficava no Edifício Telematic, na Carlos Gomes, perto da rua do Cabeça.

Os radialistas faziam shows para arrecadar dinheiro para o sindicato. Mas o que realmente reuniu os filiados foi a greve que ocorreu na gestão de Manoel Canário, noticiarista da Rádio Sociedade, nos idos de 60. As rádios foram paradas por 72 horas. Foi a primeira greve de radialistas no Brasil. O fato é que a Rádio Cultura não pagava o salário integral. O funcionário recebia uma parte e assinava um vale. O restante do salário ficava para o mês seguinte, acumulando-se por um bom tempo. “Trabalhávamos por amor à camisa. Éramos muito unidos”, conta Santarem. A rádio devia aos funcionários meses de salários que tinham sido pagos parcialmente. Muitos trabalhadores não tinham nem o dinheiro do transporte.

“Muitas pessoas deixaram de trabalhar no rádio por esse motivo e o sindicato lutou sempre contra isso”, informa Santarem. Os grevistas organizavam piquetes. A turma da Rádio Sociedade ia para a porta da Rádio Cultura e vice-versa. A população ficou a favor dos radialistas. Os comerciantes ajudavam com a merenda. Para Santarem, a greve foi um alerta. “O sindicato ficou forte. Começou a ser respeitado. Já o salário, melhorou nos primeiros meses, depois voltou a ser o que era”, desabafa.

A associação chegou a ter mais de duzentos participantes, que se filiaram ao sindicato, consequentemente. Tudo isso começou com cerca de dez pessoas. “Sofríamos muita pressão. Diziam que quem se filiasse seria demitido. Mas lutamos. O sindicato hoje tem a força que tem graças a todo esse trabalho. Começamos do nada”, observou Santarem.

Naquela época não havia registro profissional nem Lei do Radialista. A única coisa que tinha era a cateirinha de associado, que empolgou bastante os trabalhadores. Dava para pagar meia nos cinemas, entrar nos clubes. “Muitas pessoas se filiavam para ter a carteirinha”, pontuou Santarem.

Foi só em 1978 que o SINTERP passou a representar também os publicitários. Assim podemos dizer que unidos somos fortes, pois representamos a união de duas categorias que crescem e se desenvolvem juntas, tendo um único e coeso sindicato.

Matéria de Alessandra Aquino

 


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