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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

RADIALISTAS PROTESTAM CONTRA DECRETO DE TEMER DURANTE CONGRESSO DA ABERT


O 28º Congresso da ABERT, que aconteceu em Brasília nos dias 21 e 22 de agosto, foi destinado exclusivamente a um público de empresários e diretores de emissoras.  Michel Temer abriu o evento que ocorreu poucos meses  depois de ele ter assinado o Decreto 9329/18, que altera a regulamentação dos trabalhadores em rádio e TV de todo o Brasil.  Não podemos esquecer que foram limadas da regulamentação 35 funções das 94 que haviam, enquanto 51 foram aglutinadas em 25, legalizando a multifunção. Todos sabem que não se pode mudar a regulação profissional sem diálogo com a categoria interessada.

A FITERT e a FENAERT já vinham debatendo sobre todas as possibilidades de mudanças e, de forma covarde e repentina, Michel Temer atropelou a todos, presenteando os empresários da Radiodifusão.  Agora ficou claro por que ele fez a abertura do Congresso da ABERT, inclusive, entregando honra ao mérito a estrelas Globais.  Enquanto isso, nos bastidores, trabalhadores Radialistas faziam seu protesto nos corredores e do lado de fora do evento, com faixas que diziam : “Abaixo o Decreto que alterou a lei dos Radialistas”; “Pela não desregulamentação da profissão de Radialista ADI nº 5769” e “Pela revogação de Decreto 9329/18 de Michel Temer”.

 No dia 22, à tarde, a FENAERT realizou uma oficina debatendo as novidades sobre a regulamentação da profissão de radialista.  A advogada e assessora jurídica da FENAERT explicou as mudanças do decreto presidencial, publicado em abril deste ano, que reduziu o número de função dos profissionais. Agora, querem convencer  que a mudança foi boa. Boa para quem?  Só para os empresários!  Antes, os trabalhadores que reivindicavam o acúmulo de função na Justiça conseguiam receber seus direitos. Isso não vai mais acontecer a menos que a Fitert consiga reverter o quadro e está mobilizada para isso desde o início.

O ministro do STF, Luís Fux, que vai julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade, movida pela Fitert, com  o  objetivo de revogar o decreto de Temer, foi convidado a  participar do congresso. Os patrões já aproveitaram para fazer um lobby com o ministro. Os trabalhadores, excluídos do congresso, tentaram entregar ao ministro um boletim denunciando a manobra dos patrões e conseguiram colocá-lo nas mãos dele.  Os trabalhadores que se manifestavam em frente ao local do congresso foram retirados pois disseram que ali era propriedade privada.  O ministro saiu pela garagem. Qual é a dificuldade de dialogar com os trabalhadores e de pensar numa saída para os profissionais? Ainda dá tempo da categoria se mobilizar nos seus estados para garantir um direito que já era dos Radialistas e foi retirado com uma simples canetada por alguém que mal conhece a profissão.

O bom jornalismo tem que se sobrepor às informações falsas, que são facilmente disseminadas hoje em dia pelas redes sociais, afirmou Paulo Tonet de Carvalho, presidente da Abert. “A informação que levamos é uma informação certificada, uma informação editada, uma informação com responsabilidade. Num mundo de fake news, os veículos de comunicação como a televisão particularmente são muito importantes para certificar aquilo que é verdade e aquilo que é fofoca em rede. Então nós, a radiodifusão brasileira, fazemos um jornalismo correto, um jornalismo isento e, fundamentalmente, um jornalismo comprometido com a verdade”, declarou. Percebe-se aí  a intenção de combater as redes sociais, que levam informações não publicadas pela grande imprensa, geralmente informações do pensamento de esquerda, que não têm espaço na mídia.  Ele afirma que tudo que não está na grande imprensa é fake News, mas justamente a ideologia que vai contra o status quo é transmitida pelas redes sociais e não pela grande imprensa. Ele fala que a televisão é importante para certificar o que é verdade, mas a televisão é o veículo que mais mente, fazendo propaganda política de direita velada em forma de notícias. Ainda diz que a Globo, empresa da qual é vice-presidente de Organizações Institucionais, faz  um jornalismo isento e comprometido com a verdade. Na realidade, é comprometido com quem a sustenta, apoiando as ideias de quem lhe paga mais: as empresas internacionais, as grandes petroleiras e todos aqueles que querem vender o Brasil a preço de banana.

Ele também defendeu a liberdade de imprensa, que para a Rede Globo é a liberdade de envolver os seus telespectadores numa rede de mentiras e dizer que qualquer oposição a isso é censura. A TV brasileira não quer ter a liberdade de informar com responsabilidade e sim de fazer as pessoas acreditarem no seu discurso bem redigido de acordo com a sua linha editorial, construída através de cifras recebidas de quem tem mais poder. A liberdade de imprensa que os empresários, a grande mídia e Temer defendem é a liberdade de eles próprios informarem o que bem entendem, sem nenhum compromisso com a verdade, apenas com quem lhes paga para informar o que interessa a quem tem mais poder.

A Fitert aguarda, agora, a decisão da Justiça sobre a possibilidade de revogação do Decreto 9329/18 assinado por Temer legalizando o acúmulo  de função e ferindo a Lei do Radialista 6.615/78 e o Decreto 84.139/79. É fundamental que o Decreto de Temer seja anulado e que todas as funções de radialista sejam reconhecidas como antes. Esperamos que os trabalhadores não sejam mais prejudicados em favor dos empresários representados no Congresso da ABERT. É fato que este congresso foi a reunião dos comandantes da imprensa que apresenta fake news  como notícia  assinadas embaixo por grandes emissoras de comunicação, passando-se por informação responsável. E eles ainda têm a desfaçatez de afirmar publicamente que informam com responsabilidade.

 


Seminário Reforma Trabalhista e Negociação Coletiva

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